quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sou evangélica e meu marido me bate, posso me divorciar?

Renato Vargens

Sônia Regina Maurelli, diretora da casa Isabel, afirma que cerca de 90% das mulheres vítimas da violência doméstica são evangélicas.

Nas dependências da Casa de Isabel, é fácil encontrar grupos de mulheres com a bíblia aberta, senhoras murmurando corinhos cristãos e até mesmo a música no rádio da recepção, tocando canções evangélicas.

A Violência doméstica é um grave problema em nossa sociedade, e infelizmente nossas igrejas estão repletas de mulheres que apanham de seus maridos. Não são poucas aquelas que vivem uma vida de horrores, sofrendo as agruras de uma relação despótica, ditatorial e abrutalhada. Como todos sabemos, muitas destas mulheres continuam se sujeitando a este tipo de relacionamento, fundamentado na premissa de que Deus odeia o divórcio (o que é verdade), e com isso acentuando distúrbios psicológicos, neurológicos e físicos em sua própria vida e filhos.

Sem a menor sombra de dúvidas o divórcio não é uma instituição divina e sim humana, até porque, ele brota de corações caídos e distantes de Deus. Além disso, é indispensável que também entendamos que existe um enorme abismo entre lutar por um casamento combalido a permanecer numa relação onde a esposa é constantemente violentada fisicamente.

O Apóstolo Paulo em I Co 7:10-15 afirma que o cônjuge cristão PODE se divorciar deste que o seu marido incrédulo abandone o lar. Isto posto, acredito piamente que maridos que batem em suas esposas, há muito abandonaram seus lares, dando as suas mulheres condições de divorciaram dos agressores.

O fato de alguns destes afirmarem ser cristãos, não os torna efetivamente crentes, até porque, os que agridem suas esposas, legitimam de que na verdade nunca conheceram a Cristo.

A violência contra a mulher é uma agressão ao Criador e em hipótese alguma as mulheres devem se sujeitar a qualquer tipo de agressão, denunciando o agressor às autoridades competentes a fim de que o sofrimento imposto pela violência cesse definitivamente em sua casa. Além disso, deve levar suas queixas, lamúrias, angústias e sofrimentos ao justo JUIZ, que com certeza no tempo certo lhes fará justiça.

Soli Deo Gloria!
Renato Vargens

Retirado de: renatovargens.blogspot.com.br

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O EVANGELHO DE SATANÁS

    Citações
 A. W. Pink
O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem um programa de anarquia. Não promove conflitos e guerras, mas almeja a paz e unidade. Não procura colocar a mãe contra a filha, nem o pai contra o filho, mas promove um espírito fraterno por meio do qual a raça humana é tida como uma grande “irmandade”. Não procura arrastar o homem natural ao fundo do poço, e sim melhorá-lo e enaltecê-lo. Advoga a educação, o cultivar e o apelar ao que “de melhor existe dentro de nós”. Almeja fazer deste mundo um habitat tão confortável e apropriado, que a ausência de Cristo nesse habitat não será percebida, e Deus não será necessário. O evangelho de Satanás empenha-se por ocupar o homem com muitas coisas deste mundo, de modo que ele não tem oportunidade ou disposição para pensar no mundo vindouro. Esse evangelho propaga os princípios do auto-sacrifício, caridade e benevolência, ensinando-nos a viver para o bem dos outros e sermos bondosos para com todos. Apela fortemente à mente carnal, tornando-se bastante popular entre as massas, pois ignora os fatos solenes de que o homem, por natureza, é uma criatura caída, alienada da vida de Deus, morta em delitos e pecados, e de que sua única esperança está em nascer de novo.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Proteja seu casamento (namoro também)

    Artigos
 Isaltino G. C. Filho
proteja-seu-casamento-para-casados-e-solteirosMuitas vezes um casamento vai bem, e acaba abalado por causa de um relacionamento inesperado com uma terceira pessoa. Começa de maneira inocente e agradável, torna-se cada vez mais envolvente. Por fim, traz complicações e desgraças para muita gente.

Não foi um acidente ou "um grande amor que surgiu". Foi um relacionamento do qual o casamento deveria ter sido protegido. Não seja ingênuo pensando que isto só acontece com os outros. Muita gente boa já caiu exatamente por ser ingênua assim. Lembre-se de 1 Coríntios 10:12. Por isso, proteja eu casamento...

Eis algumas dicas:

Tenha bom senso com suas companhias

Evite gastar tempo desnecessário com alguém do sexo oposto. Muitos casos surgem por não se agir assim. Um executivo precisa de aulas particulares de inglês e contrata uma jovem professora. Contrate um homem. Não significa que cada contato com alguém do sexo oposto seja porta para o adultério. Significa evitar oportunidades para cair. Companhia contínua cria intimidade. Intimidade com o sexo oposto traz problemas.

Tome cuidado com as confidências

A pessoa mais íntima de alguém deve ser seu cônjuge. Segundo a Bíblia, são "uma só carne", isto é, uma só pessoa. Se há aspectos de seu relacionamento que você não pode compartilhar com esposo(a) e compartilha com alguém do sexo oposto, a coisa está ruim. As pessoas tendem a se solidarizar com quem sofre e a proximidade emocional se torna perigosa. Um homem que se queixa de sua esposa para outra mulher está traçando um caminho perigoso. Isto vale para quem faz e para quem ouve confidências.

Evite momentos a sós

Decida não ter momentos privados com alguém do sexo oposto. Se um(a) colega de trabalho pedir para ter um almoço com você, convide uma terceira pessoa. Se necessário, não se constranja em compartilhar os limites que você e seu cônjuge concordaram ter no seu casamento. É melhor ser visto como rude que vir a cair em pecado.

Vigie seus pensamentos

Cuidado com o que pensa. Se você só se detém nos defeitos de seu cônjuge, qualquer outro homem ou mulher parecerá melhor. Faça uma lista das coisas que inicialmente lhe atraíram em seu cônjuge. Aumente o positivo e diminua o negativo. Evite filmes, conversas, sites e literatura que apologizam o adultério. Lembre de Colossenses 3:2.

Evite comparações

Um homem trabalha com uma mulher perfumada, maquiada, bem vestida. Em casa encontra a esposa, com criança no colo, cabelo desfeito, banho por tomar. Uma mulher encontra um homem compreensivo com quem pode se abrir, e se sente mais à vontade com ele do que com o esposo. Ignoraram situações e contextos diferentes. Foram iludidos pelo irreal. Lembre-se do pródigo: o mundo lhe era fascinante, mas terminou num chiqueiro. As aparências iludem, porque o mundo em que vivemos em casa é o real. O mundo de relacionamentos fora de casa é sempre artificial.

Evite a síndrome do retorno

É a idéia de que a vida sentimental e sexual caiu na rotina, e agora, a pessoa "renasceu". Já vi inúmeros casos assim: "Eu renasci", ou "Eu me senti jovem de novo". Não banque o adolescente. Você é um adulto com responsabilidades e com uma pessoa com quem partilha a vida. Construa sua vida com seu cônjuge. Se sua vida conjugal se "fossilizou", há outros caminhos. Revigore-a com seu cônjuge. Há pessoas que sempre se fossilizam e pulam de relacionamento em relacionamento, procurando o que não produzem. Temos o que produzimos.

Ponha seu coração no seu lar

A solidez do casamento vem pelo tempo que os cônjuges gastam juntos. Conversas, risos, passeios, programas comuns. Se você não sai com seu cônjuge, marque datas para os próximos meses. Vocês devem ter um ao outro como o melhor companheiro. Mantenham o clima de namoro: querer estar junto com a pessoa. Orem juntos. Dificilmente duas pessoas que oram juntas brigarão entre si. Sejam parceiros espirituais.

Invista em seu cônjuge

O marido da mulher virtuosa é conhecido quando se levanta em público (Pv 31:23). A idéia é que ele está bem vestido e vê o caráter dela pela roupa dele. Uma boa esposa é um bom tesouro (Pv 18:22). De bom tesouro cuida-se e evita-se perdê-lo. Marido: mulher bem tratada é um grande investimento; o retorno emocional é garantido. Mulher: marido bem tratado é um grande investimento; o retorno emocional é garantido.

Busque ajuda

Havendo problemas, busque ajuda. Primeiro em Deus. Lembre-se de Tiago 1:5. Busque orientação de pessoas mais experientes ou de seu pastor. Evite que o problema se avolume. Evite conselhos de gente que não tem o que dizer. Os amigos de Roboão lhe deram maus conselhos (1 Rs 12:6-12). Nesta busca de ajuda, evite por mais lenha na fogueira. Evite também raiz de amargura (Hb 12:15). Busque ajuda e não um juiz a seu favor.

Conclusão

Bons casamentos não acontecem por acaso. São produto de muito trabalho e da graça de Deus. Boa parte do trabalho é investimento emocional no relacionamento conjugal. "Vender a alma" para o cônjuge. Mas investir sem proteger é problemático. É preciso levantar cercas contra os problemas externos, porque os internos são mais vistos e os dois os vivenciam. Não permita brechas. Não dê armas ao inimigo.

Fonte: Jornal Ágape de Limeira/SP - www.isaltino.com.br

sábado, 15 de julho de 2017

EVANGELHOS FALSIFICADOS

   Artigos
Tullian Tchividjian
evangelhos-falsificadosAproveitando a visita de Paul Tripp à Igreja Coral Ridge neste final de semana, voltei a muitos dos meus livros escritos por ele – Paul é uma grande dádiva à igreja! Em um dos seus livros (coescrito com Tim Lane), How People Change [Como as Pessoas Mudam], ele identifica sete evangelhos falsos – caminhos “religiosos” que usamos para nos “justificar” ou “salvar” à parte do Evangelho da graça. Considerei isso incrivelmente útil. Ao redor de qual (ou quais) você tende a orbitar?

• Formalismo: “Eu participo dos encontros regulares e dos ministérios da igreja, assim sinto-me como se minha vida estivesse sob controle. Estou sempre na igreja, mas isso realmente tem pouco impacto em meu coração ou sobre como vivo. Posso me tornar julgativo e impaciente com aqueles que não têm o mesmo compromisso que eu”.

• Legalismo: “Eu vivo pelas regras – regras que criei para mim mesmo e regras que criei para os outros. Sinto-me bem se posso guardar minhas próprias regras, e me torno arrogante e cheio de desdém quando os outros não alcançam os padrões que coloquei para eles. Não há alegria em minha vida porque não há graça a ser celebrada”.

• Misticismo: “Eu estou envolvido em uma busca incessante por uma experiência emocional com Deus. Vivo para os momentos em que me sinto próximo dele, e frequentemente luto contra o desânimo quando não me sinto dessa maneira. Posso também mudar de igreja frequentemente, buscando aquela que me dará aquilo que procuro”.

• Ativismo: “Reconheço a natureza missional do Cristianismo e estou apaixonadamente envolvido em consertar esse mundo destruído. Mas, no fim do dia, minha vida é mais uma defesa do que é certo que uma busca alegre por Cristo”.

• Biblicismo: “Eu conheço a Bíblia do começo ao fim, mas não permito que ela me domine. Reduzi o Evangelho à proficiência do conteúdo e teologia bíblicos, portanto sou intolerante com aqueles que têm menos conhecimento”.

• Terapismo: “Falo muito sobre as pessoas feridas em minha congregação, e como Cristo é a resposta para suas dores. Porém, mesmo sem perceber, eu fiz de Cristo mais Terapeuta que Salvador. Eu vejo as feridas como um problema maior que o pecado – e, sutilmente, mudo minha maior necessidade – da minha falência moral para minhas necessidades não satisfeitas”.

• Socialismo: “A comunhão e amizades profundas que encontro na igreja se tornaram meu ídolo. O corpo de Cristo substituiu o próprio Cristo, e o Evangelho é reduzido a uma rede de relacionamentos cristãos satisfatórios”.

Como disse há duas semanas em meu sermão, existem ídolos fora da igreja e existem ídolos dentro da igreja. São os ídolos dentro da igreja que devem preocupar mais os cristãos. É mais fácil para os cristãos identificar ídolos mundanos como dinheiro, poder, ambição egoísta, sexo, e por aí vai. São os ídolos dentro da igreja que nos trarão dificuldade para identificar.

Por exemplo, sabemos que é errado se prostrar diante do deus do poder – mas também é errado se prostrar diante do deus das preferências. Sabemos que é errado adorar a imoralidade – mas também é errado adorar a moralidade. Sabemos que é errado procurar liberdade ao quebrar as regras – mas também é errado procurar liberdade ao guardá-las. Sabemos que Deus odeia a injustiça – mas ele também odeia a justiça própria. Sabemos que crime é um pecado – mas controle também é. Se as pessoas de fora da igreja tentam salvar-se sendo más, as pessoas dentro da igreja tentam salvar-se sendo boas.

A boa notícia do Evangelho é que, tanto fora como dentro da igreja, há somente um Único Salvador e Senhor, chamado Jesus. E ele veio, não para nos privar furiosamente de nossa liberdade, mas para amorosamente nos tirar da nossa escravidão a coisas menores, de maneira que possamos verdadeiramente nos tornar livres!

Fonte: iPródigo

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sugestões para se evitar o pecado do adultério

 Artigos
 Arthur W. Pink
sugestoes para se evitar o pecado do adulterioCinco dicas práticas para você manter-se fiel a Deus e a seu cônjuge.

As sugestões também são igualmente úteis para solteiros.






1) Cultivar um senso habitual da presença divina, percebendo que "os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons" (Provérbios 15:3).

2) Manter uma estrita vigilância sobre os sentidos; pois, com muita frequência, esses são as avenidas que ao invés de permitir a entrada de correntes agradáveis para refrescar, em geral deixam entrar barro e lama para poluir a alma. Faça um pacto com seus olhos (Jó 31:1). Feche os seus ouvidos contra qualquer conversa obscena. Não leia nada que contamine. Vigie os seus pensamentos, e trabalhe prontamente para expelir os que forem perversos.

3) Pratique a sobriedade e a temperança (1 Coríntios 9:27). Aqueles que indulgem em glutonaria e bebedice geralmente descobrem que seus excessos levam à cobiça.

4) Exercite-se numa ocupação honesta e legal; está provado que a ociosidade é tão fatal a muitos como a intemperança a outros. Evite a companhia do perverso.

5) Dedique-se muito à oração fervorosa, implorando a Deus que limpe o seu coração (Salmos 119:37).

Extraído do livro "Os Dez Mandamentos - Uma Exposição Bíblica" pg.64

terça-feira, 11 de julho de 2017

12 perguntas a fazer antes de postar na internet

 Artigo
 Mark Dever
12 perguntas a fazer antes de postar na internetEu quero oferecer 12 breves perguntas para que você faça a si mesmo. Você pode pensar nelas como luzes indicativas, do tipo que um piloto verifica antes de decolar.







01) Edificará? Ou informará significativamente uma conversa útil? (1 Coríntios 14:26; Marcos 12:29-31)

Tente pensar no que edificará os outros. Tudo o que fazemos deve obedecer ao mandamento de amar a Deus e aos outros. Como isso aumentará o conhecimento, a fé ou o amor deles? Você está apresentando com precisão qualquer posição que discorda? Quão seguro estou de minhas informações? Esperamos que as trivialidades preencham menos de nossas vidas do que o fazem na internet. John Piper disse que “Uma das grandes utilidades do Twitter e Facebook será provar no último dia que nossa falta de oração não foi por falta de tempo!”. Ele tem razão.

02) Será facilmente mal compreendido? (João 13:7, 16:12)

A privacidade de uma conversa pessoal limita a má compreensão. Nos lugares públicos, algumas coisas soarão de uma forma para aqueles que nos conhecem e de outra para aqueles que não nos conhecem. Avaliações negativas são muitas vezes melhor compartilhadas em privado ou não compartilhadas de modo algum. Quantos de nós aprendemos em nossos locais de trabalho que e-mail é uma maneira terrível de compartilhar qualquer tipo de comentários negativos? E, pensando especialmente em postagens públicas, pergunte a si mesmo: há razões pelas quais eu não posso ser uma boa pessoa para falar sobre determinados assuntos?

03) Alcançará o público certo? (Marcos 4:9)

Se você estiver corrigindo alguém, a audiência para essa correção deve ser mais ampla ou mais limitada? Essa audiência é corrigível? Quando usar uma rede social, considere quem está ouvindo o que você está dizendo. E se todos nesse lugar viessem a escutar por acaso as suas conversas após o serviço hoje? Ainda assim, fazemos isso todo o tempo na internet.

04) Ajudará em meu evangelismo? (Colossenses 1:28-29)

O que você está prestes a comunicar ajuda ou dificulta aqueles que você está evangelizando? É provável que isso diminua a importância (para eles) do seu compromisso com o evangelho ou a engrandece?

05) Provocará controvérsia desnecessária e inútil? (Tito 3:9)

Pense cuidadosamente sobre controvérsia. A linha que separa o compartilhamento vigoroso de ideias e uma espécie de guerra social, às vezes, é mais fina do que podemos imaginar. Em que essa controvérsia particular que eu gostaria de estar contribuiria para o bem? Quando ela é inútil? Quanto tempo durará? Trata-se de uma questão fundamental inevitável ou de uma questão sobre a qual o desacordo é um tanto quanto sem importância? Será que esta controvérsia levará a qualquer outra divisão que ameace a unidade da nossa igreja local?

06) Envergonhará ou ofenderá? (1 Coríntios 12:21-26)

Alguém será envergonhado ou ofendido pelo que você está dizendo? Eu entendo que o mero fato de que algo é ofensivo não significa que dizê-lo é errado, mas simplesmente que nós devemos ter certeza de que a ofensa é digna disso.

07) Comunicará cuidado? (1 Coríntios 12:21-26)

Será que os principais interessados apreciarão os seus motivos? Privacidade na comunicação transmite cuidado e honra a pessoa que recebe a informação. Você gosta que a prescrição do medicamento por seu médico seja algo privado; mas você não se importa que a venda na loja seja anunciada. Se alguém preferir ser abordado pessoalmente, por que não fazê-lo?

08) Fará com que pessoas estimem melhor alguém? (1 Coríntios 12:21-26)

Ressalte a graça de Deus na vida, ministério e argumentos, etc., de outros. Destacar algo que edificará a estima de outros por alguém glorifica a Deus e encoraja os outros a verem a sua obra neles.

09) É jactância? (Provérbios 27:2)

O que você comunica na internet chama a atenção para si mesmo mais do que para o seu assunto? Como isso pode ser espiritualmente prejudicial para você ou para outros? Isso deixará as pessoas com uma compreensão mais exata de você? Está simplesmente sendo tentado a chamar a atenção para si mesmo ou para o que você sabe? Quando foi a última vez que incitou outros por compartilhar algo embaraçoso ou mesmo pecaminoso acerca de si mesmo?

10) O tom é apropriado? (2 João 1,12; Colossenses 4:6, Efésios 4:29, 2 Timóteo 2:24-25)

As pessoas entenderão e serão encorajadas pela verdade que você compartilha? Quão importante é que o tom de sua mensagem seja corretamente compreendido? Isso é claramente bondoso, paciente e gentil? O tom exato de sua voz e a feição em seu rosto indicam muito do que você quer dizer. Em uma conversa pessoal, você pode entender mais rapidamente que algo precisa ser explicado e o esclarece. A internet não santifica a ira ou frustração.

11) É errado não dizer nada? (Romanos 1:14)

Você tem uma oportunidade ou mesmo uma responsabilidade de comunicar algo? Alguns de vocês fazem isso devido ao seu trabalho. Você estabeleceu um “relacionamento” com leitores, amigos e seguidores na internet, de modo que eles esperam que comente sobre um determinado assunto ou situação? Nossa liberdade de expressão é uma mordomia maravilhosa! Queremos usá-la de forma boa e responsável. Eu suponho que existem até mesmo alguns trabalhos que não valem os sacrifícios que eles demandam, não existem?

12) O que os outros aconselham? (Provérbios 11:14; 15:22; 24:6)

Quando você está prestes a comunicar algo que sabe que os outros acharão provocativo, você tem bons alertas sonoros para tentar ajudá-lo a ponderar sobre a resposta? Você dedica tempo para considerar antes de publicar? A velocidade de resposta é tanto uma possibilidade da internet quanto uma tentação para falar muito rápido (o que contraria Tiago 1.19; Provérbios 10.19, 14.29, 16.32, 17.27). Lembre-se, você prestará contas por cada palavra que você digita (Mateus 12.36). Será que dizer coisas a uma “distância segura” das pessoas nos tenta a falar o que não diríamos diante de sua face?

Talvez você possa escrever estas perguntas e pedir a um amigo que observe suas redes sociais com essas preocupações em mente. Ou ainda, pergunte a alguém que discorda de você em algum assunto que postou ou escreveu e veja o que ele dirá. Dessa forma, muitos de nós podemos ser capazes de melhorar o nosso cuidado. Você pode imaginar quanto cuidado os apóstolos tiveram ao escrever as suas cartas.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

QUER MUDAR O MUNDO? CRIE FILHOS PIEDOSOS

Ficou bastante na moda, em alguns círculos estes dias, condenar a ascensão na igreja do que chamamos de “culto à personalidade”, e com razão. Um grupo cada vez maior, consumido pelo consumo de ensino teológico e bíblico através de meios de comunicação diversos, enfrentará a tentação de elevar certas vozes, tomar partido, defender bandeiras e oferecer lealdade cega a uma marca cuidadosamente elaborada. Nós escolhemos nossos líderes de culto talvez por gostarmos de sua perspectiva teológica, talvez por gostarmos de seu estilo de ensino. Pode ser que nosso líder defenda nossa causa favorita. Ou pode ser simplesmente seu encanto. Por sermos fábricas de ídolos, cercamo-nos deles.
Esse problema, é claro, não é novo. O Novo Testamento não apenas conheceu sua cota de autoproclamados “superapóstolos”, como ainda tinha alguns homens perfeitamente humildes e piedosos que as pessoas colocavam em um pedestal: “Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas” (cf. 1Coríntios 1.12) não é um julgamento sobre Paulo, Apolo ou Pedro, mas sobre aqueles que fizeram deles ídolos. Suspeito que o problema permaneça conosco hoje porque cair nele, na verdade, traz um parentesco próximo com algo para o qual a Bíblia realmente nos chama: seguir o exemplo daqueles que são nossos superiores espirituais. Paulo, afinal, nos chama a imitá-lo como ele imita a Cristo (1Coríntios 11.1).
O verdadeiro problema é que nossos padrões estão desregulados. Embora não haja nada de errado em ter uma perspectiva teológica sadia ou estilo de ensino agradável, em defender causas importantes ou mesmo em ter algum encanto, estas não são razões boas e bíblicas para erguer um homem como exemplo para nós. A Bíblia nos dá uma lista do que procurar nos homens a quem devemos admirar. Essas coisas podem ser encontradas na primeira carta de Paulo a Timóteo (3.1-7), ou em sua carta a Tito (1.5-9), onde ele descreve as qualidades de um bispo (ou presbítero). Os padrões aqui não são tão glamorosos. Um presbítero é o marido de uma só mulher. Ele não é dado a muito vinho. Ele é sóbrio, não violento. Ele governa a bem a sua própria casa.
Muitos anos atrás, o Ministério Highlands, assim como o Ligonier antes dele, costumava acolher estudantes para longos períodos de estudo. Esses estudantes muitas vezes ficavam em minha casa. Eu suspeito que muitos dos jovens que se inscreveram pensavam algo do tipo: “Eu não fui convidado para estudar com o meu herói, R. C. Sproul. Mas eu posso estudar com alguém que tem o mesmo herói, que viveu e estudou com ele: R. C. Sproul Jr.”. Eu suspeito que muitos destes jovens se viam no caminho da grandeza. Então, eu jogava com isso.
Quando nos encontrávamos pela primeira vez, eu lhes perguntava: “Você quer fazer uma diferença no reino? Você quer ter um impacto duradouro, por várias gerações? Você quer fazer grandes coisas para fazer avançar a causa de Cristo?”. A esta altura, eles já estavam na beirada da cadeira, acreditando que estavam prestes a ouvir o segredo que vieram descobrir.
“Tudo bem”, eu dizia, “vou lhe dizer como fazer isso. Está vendo aquela mulher lá dentro?”. Eu apontava para a cozinha, onde minha amada esposa estava trabalhando duro. “Sim, sim, vejo”, eles respondiam. “Eis o que você precisa fazer”, eu dizia. “Encontre uma mulher piedosa assim, case-se com ela, e então crie filhos piedosos”. Eles ficavam ainda mais ansiosos, esperando o truque final; e eu me recostava de volta em minha cadeira, já tendo finalizado.
É um truísmo dizer que quanto mais você se anima com algo, mais disso você terá. Quando derramamos elogios sobre os homens por sua genialidade, suas realizações acadêmicas e suas apresentações hábeis, então devemos esperar obter mais genialidade, realizações acadêmicas e apresentações hábeis. Mas o que aconteceria se nos animássemos com aquilo que Paulo se animava? E se crêssemos em Deus o suficiente para acreditar que o poder está no comum: em maridos que amam suas esposas como Cristo ama a Igreja, em pais que educam os filhos na disciplina e admoestação do Senhor? Não teríamos mais disso?
Quando me perguntam, como acontece com frequência, ‘Como foi ter R. C. Sproul como pai”, minha suposição é que as pessoas estão curiosas sobre o impacto em mim de ter um pai que é teologicamente sadio, um bom comunicador, apoiador de causas bíblicas e, verdade seja dita, encantador. Meu pai é todas essas coisas, e não há nada de errado nisso. Mas o mundo e a eternidade foram transformados porque ele, juntamente com a minha mãe, criou minha irmã e eu na disciplina e admoestação do Senhor. O mundo foi mudado porque meus pais buscaram primeiro o reino de Deus e a sua justiça de maneiras comuns, em um lar comum, como pais comuns, criando filhos comuns.
Não precisamos de habilidades especiais ou oportunidades especiais para fazer coisas extraordinárias para o reino. Precisamos apenas servir ao nosso Senhor extraordinário de maneira comum. E ele abençoa, e abençoará, esse serviço. Não precisamos de outro herói. Nós mudamos o mundo, uma fralda de cada vez. Porque dos tais é o reino de Deus.

Por: R.C Sproul Jr.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

AINDA EXISTE LEVITAS NOS DIAS DE HOJE?


Este é um assunto muitos discutido nos dias atuais, principalmente por aqueles que desejam judaizar o cristianismo.



Publicado em 5 de jul de 2016
No Perguntar Não Ofende de hoje o Rev. Márcio Roberto Alonso, titular da Igreja Presbiteriana Ebenézer de São Paulo, explica quem foram os levitas, e se ainda existem nos dias de hoje.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Na Igreja, Deixe sua Preferência Musical do Lado de Fora

Bobby Jamieson06 de Outubro de 2014 - Igreja e Ministério

OLouvorNaIgreja
O que houve com os fones de ouvido? Ou até mesmo com os intra-auriculares, seus discretos sucessores?
Desde o advento do iPhone, parece-me que mais e mais pessoas projetam suas músicas no ambiente ao seu redor, em vez de nos seus ouvidos. Eu vejo isso – aliás, eu ouço – em todo lugar: na academia, no aeroporto, no açude perto de casa em torno do qual caminho. Eu constantemente me deparo com as bolhas pessoais de Beyoncé ou Bieber de outras pessoas.
Eu poderia falar sobre como as tecnologias, a exemplo dos pequenos alto-falantes, apenas revelam a autoabsorção já presente no coração, mas não o farei. Em vez disso, há uma parábola aqui que eu desejo investigar, uma parábola que retrata a diferença entre como nós tendemos a ouvir música individualmente e como nós deveríamos lidar com a música na igreja.
Trilhas sonoras personalizadas
Essas esferas musicais projetadas retratam o fato de que, para muitas pessoas hoje, a música serve como um tipo de trilha sonora personalizada para as nossas vidas.
Por que você escuta as músicas que escuta? As razões são, provavelmente, multifacetadas e, algumas vezes, subconscientes. Em alguma medida, as escolhas estéticas da maioria das pessoas são intuitivas: você gosta porque gosta. Mas preferências musicais também são influenciadas pelo lugar onde você cresceu, o que seus pais costumavam ouvir, o que seus pais proibiam você de ouvir, e – especialmente –, o que seus amigos ouvem. E essas preferências podem mudar ao longo do tempo de maneiras radicais ou discretas.
O que você ouve também depende de como você se sente e de como você deseja se sentir. Se você estiver deprimido, uma música melancólica pode levá-lo à catarse. Se estiver fazendo exercícios, você quer manter seu sangue bombeando a todo vapor. Está-se trabalhando ou estudando, você provavelmente quer uma música que irá afastar as distrações, sem se tornar ela mesma uma distração.
E o que você ouve depende da companhia presente. Daí vêm as brigas eternas, em algumas famílias, pelo controle do som do carro.
Qual é a grande questão aqui? Na modernidade ocidental tardia, e cada vez mais pelo resto do mundo, a música funciona para muitos como uma trilha cinematográfica. Ela indica o nicho cultural das personagens, estabelece o humor, e intensifica a ação.
Que a música funcione desse modo é mais ou menos um fato da vida hoje, mas não é um fato da natureza. O consumo personalizado de música é possível apenas por causa da tecnologia e das estruturas comerciais que a viabilizam. Grosso modo, antes do advento da mídia de massa, a experiência musical da maioria das pessoas era exatamente como a de todos os seus vizinhos: eles ouviam e cantavam as canções do seu povo. As pessoas costumavam sussurrar canções populares, a herança comum de várias gerações, enquanto aravam o campo e assavam o pão. Em contraste, a cornucópia de opções que caracteriza o consumo musical de nossos dias é uma novidade do capitalismo avançado.
Isso não o torna errado. Mas significa que nós deveríamos atentar para alguns instintos programados pelo hábito do consumo personalizado e que podem precisar ser desprogramados quando entramos na igreja no domingo de manhã.
Domingo de manhã
Por quê? Porque a música na igreja está ali com um propósito bem diferente daquele pelo qual ela está em nossos iPhones.
Em Colossenses 3.16, Paulo escreve: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”  A passagem paralela em Efésios 5.18-19 nos exorta a não nos embriagarmos com vinho, mas, em vez disso, a “[enchermo-nos] do Espírito, falando entre [nós] com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais”.
Nessas passagens, Paulo se dirige a toda a congregação. Ele ordena toda a congregação a cantar, assim como Deus frequentemente ordena seu povo a cantar-lhe ao longo do Antigo Testamento (p.ex., Salmo 9.11; 30.4; 33.3; 47.6).
Não é o grupo de louvor que toca a música à frente, enquanto todo mundo ouve ou, talvez, canta junto, como num show. Em vez disso, a igreja é o grupo de louvor. Haja o acompanhamento que houver, ele simplesmente serve e dá suporte ao canto da igreja.
Na igreja, música não é algo que consumimos, mas algo que nós criamos.
E para que exatamente essa música serve? É um meio pelo qual nós fazemos uma melodia ao Senhor e damos graças a ele. É também um meio pelo qual nós nos dirigimos uns aos outros, admoestando-nos e instruindo-nos. O nosso canto na igreja é dirigido a Deus e uns aos outros. Ele tem por alvo a glória de Deus e o bem do corpo. Como Paulo escreve em 1Coríntios 14.26, “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, [...] Seja tudo feito para edificação”.
O fato de esse canto ser corporativo, em vez de particular, não é acidental, mas essencial. Paulo ora pela igreja de Roma: “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 15.5-6). Paulo deseja que a igreja em Roma viva como um só corpo, de modo que eles possam glorificar a Deus como um só corpo. Ele deseja que o cântico deles em unidade expresse a vida de unidade deles como igreja. Nós glorificamos a Deus ao cantarmos juntos porque, em Cristo, Deus nos ajuntou.
Na igreja, a música é o meio pelo qual todos nós, como um só corpo, glorificamos o Senhor e edificamos uns aos outros ao cantar as excelências daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Diferenças
Longe de ser uma trilha sonora personalizada, a música na igreja é mais como a partitura de uma orquestra: a igreja é a orquestra, e cada membro em particular é um instrumento. Observe que, ao mudarmos da música cotidiana para a música na igreja, nós passamos do passivo ao ativo. Novamente, você não consome música na igreja; você a cria.
Nós também passamos do individual ao corporativo. O foco da música na igreja não é que você terá uma experiência espiritual individual da presença de Deus, enquanto canta ou outros tocam. Em vez disso, o foco é que a sua voz combinará com dúzias ou centenas de outras em uma só voz que louve a Deus e proclame a sua graça ao seu povo.
Quando uma orquestra se apresenta para tocar, todos sabem que é um trabalho em equipe. Dúzias de músicos tocam uma única partitura, de modo que a orquestra toca em unidade. Das dúzias de músicos vem um som unificado. Seria impensável que os membros da orquestra insistissem em tocar apenas as partes que estivessem de acordo com suas preferências pessoais. Para que os muitos soem como um só, os muitos devem abrir mão de quaisquer projetos que tenham o potencial de fragmentar a sua unidade.
Ao mudarmos da música cotidiana para o domingo, nós também passamos dos propósitos pessoais aos propósitos ordenados. No seu tempo pessoal, contanto que esteja amando a Deus e ao seu próximo, você pode fazer o que quiser com a música. Mas, como vimos, a música na igreja tem propósitos que são precisamente ordenados por Deus.
Toda a música na igreja deve habilitar a igreja para a edificação mútua e o louvor a Deus. Essa é uma questão que envolve a obediência ou a desobediência de toda a igreja à Palavra de Deus. O que mais importa na música da igreja é que ela faça a palavra de Cristo habitar ricamente na igreja. Conteúdo, portanto, é mais importante que estilo. E as questões mais importantes sobre estilo não são se ele se combina com as preferências de alguém, mas se o estilo da música serve aos propósitos divinamente ordenados de servir como louvor e admoestação para toda a igreja.
Preferências
Então, o que você deveria fazer com as suas preferências musicais ao entrar na igreja? Sem meias palavras, deixe-as do lado de fora.
Você pode ligar o seu iPod de novo assim que entrar no carro e dirigir de volta para casa. Na igreja, porém, ponha de lado as suas preferências e alegremente cante o que o corpo cante. O olho, o ouvido, a mão e o pé podem ter cada um as suas preferências, mas o corpo canta como um só.
Você deve se certificar de deixar as suas preferências na porta da igreja, primeiro, por causa das diferenças entre como nós costumamos consumir música enquanto indivíduos e como nós devemos criar música na igreja. Eu não estou sugerindo que a maioria dos cristãos pensa que pode tratar a ordem de culto da sua igreja como uma lista de reprodução do iTunes. Mas eu de fato penso que a nossa cultura de consumo musical está tão arraigada que é preciso trabalho duro para deixar de lado as preferências, em vez de insistir nelas. Estamos tão acostumados a elaborar nossas próprias trilhas sonoras que é preciso esforço para cultivar uma cultura musical na qual os muitos importam mais do que o um.
E abrir mão de nossas preferências pelo bem do corpo é exatamente o que o evangelho nos chama a fazer. O evangelho nos chama a perder para que outros possam ganhar, a considerar os outros superiores a nós mesmos, assim como Cristo fez por nós (Filipenses 2.1-11). Então, imite Cristo à medida que você canta para Cristo no corpo de Cristo. Se glorificar a Deus ao cantar é um sacrifício de louvor (Hebreus 13.15), não fique surpreso se isso custá-lo alguma coisa.

Bobby Jamieson é editor assistente do Ministério 9Marks, nos EUA.

terça-feira, 5 de julho de 2016

A DEFICIÊNCIA FÍSICA JUSTIFICA O ABORTO?





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    O surto da zika no Brasil e alguns outros países da América Latina possui efeitos que extrapolam os campos da medicina e da mobilização social. Esse fenômeno tem atraído também o interesse dos campos éticos, legais e religiosos, especialmente devido à conexão dessa doença com a microcefalia. A fim de se compreender corretamente esse contexto é necessário considerar algumas informações preliminares.
    Zika é uma doença causada por um vírus com o mesmo nome, transmitido primariamente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo propagador da dengue e da febre amarela. No caso dos adultos infectados com o vírus zika, os sintomas se apresentam de forma relativamente simples, sendo que pode haver febre, manchas vermelhas pelo corpo, dores nas juntas e até conjuntivite. Segundo os especialistas, esses sintomas duram menos de uma semana e os doentes dificilmente precisam de internação hospitalar para trata-los. Mas se a zika parece tão inofensiva aos adultos, o mesmo não ocorre com as crianças em gestação. Os inúmeros casos de grávidas que tiveram a zika e cujos bebês nasceram com microcefalia já alarmou até a Organização Mundial de Saúde.[1]
    Crianças com microcefalias podem precisar de cuidados por toda a vida, pois esse fenômeno é uma condição neurológica em que a cabeça e o cérebro do bebê permanecem significativamente menores para sua idade. Isso pode prejudicar a idade mental da criança e atrapalhar o seu desenvolvimento futuro. Crianças com microcefalia podem apresentar déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez na musculatura, o que exigirá constantes sessões de fisioterapia. Infelizmente ainda não foi desenvolvida uma vacina contra o vírus zika e mesmo que isso ocorra em um futuro próximo, poderá levar uma década para que a população tenha acesso ao produto. Dessa maneira, a melhor estratégia para o combate ao zika é a mobilização popular para a eliminação do mosquito transmissor do vírus.[2]
    A conexão entre a zika e a microcefalia, acompanhada pelo crescente número de casos de recém-nascidos microcefálicos reacendeu o debate sobre o aborto no Brasil.[3] Segundo as leis brasileiras, a gravidez só pode ser interrompida em três situações específicas: quando a gravidez traz risco de vida para a mãe, quando a concepção foi causada por um estupro ou quando o feto é anencéfalo. No entanto, alguns defensores do aborto já pressionam as autoridades para a permissão do aborto em gestações de bebês com microcefalia. Um grupo de advogados, acadêmicos e ativistas brasileiros já preparam uma ação para Supremo Tribunal Federal em prol da permissão do aborto nesses casos.[4] Há, também, o caso da polêmica entrevista do Juiz da 1ª vara criminal de Goiânia, na qual ele afirmou que se houver risco comprovado de microcefalia na criança ele autorizará o aborto, pois a “mãe não merece um feto sem vida”.[5] A repercussão desses movimentos no cenário internacional motiva alguns a criticarem “o atraso brasileiro” ao discutir o direito de escolha da mulher, enquanto outros comparam essa situação ao “desejo nazista” em prol da raça ariana na busca do bebê perfeito!
    A discussão sobre o aborto de microcefálicos suscita outra questão semelhantemente intrigante, especialmente para os cristãos: poderia ser o aborto justificado no caso de alguma deficiência ou deformidade do bebê no ventre da mãe? Quando se apela para a Bíblia, logo se nota que ela não possui um texto claro proibindo o aborto. Mas também deve ser observado que a ênfase do ensinamento bíblico é que os filhos são bênçãos de Deus para seus pais (cf. Sl 127.3). Além do mais, no período bíblico, a ausência de filhos era até considerada como maldição, já que o nome da família não seria perpetuado (cf. Dt 25.6 e Rt 4.5). Parece que o aborto era algo “tão contrário à mentalidade israelita que bastava um mandamento genérico “não matarás” (Êx 20.3) para proibi-lo.[6] Hoje, no entanto, a sociedade não vê mais os filhos sob a ótica divina; e quanto mais dificuldades e limitações a criança trouxer, menos desejada ela será. Assim, qual deveria ser o posicionamento cristão nessa questão de crianças com microcefalia e outras deficiências?
    Há, no mínimo, três princípios a serem considerados no caso da interrupção da gravidez de crianças com deficiências. Em primeiro lugar, há a questão da dignidade humana. Nesse sentido, deformidade e deficiência são fatores irrelevantes quando se observa a dignidade do indivíduo. Ninguém deve desprezar ou minimizar outra pessoa somente porque ela possui alguma debilidade, seja essa física ou mental. Nenhuma criança deve ser condenada à execução só porque ela é autista, possui a síndrome de Down ou alguma outra carência. Dessa maneira, crianças com formações deficientes no ventre da mãe continuam sendo humanas e merecedoras do tratamento digno que é devido a elas. Logo, matar um feto com má formação no ventre da mãe continua sendo moralmente errado!
    Em segundo lugar, é um erro grosseiro julgar que a vida de uma pessoa com debilidades, a despeito de suas limitações e cuidados necessários, não seja digna de ser vivida. Indivíduos com debilidades são capazes de realizações surpreendentes, e os familiares dos mesmos são os primeiros a testificar da alegria que eles trazem ao círculo da família. Ainda que com dificuldades, cuidar dessas pessoas pode ser uma experiência enriquecedora e gratificante. Para o cristão que acredita na soberania de Deus, que não permite nem mesmo a queda de um fio de cabelo sem que seja de sua vontade, as experiências limitadoras podem ser grande fonte de contentamento e crescimento espiritual.[7] Pais que interrompem a gravidez de fetos com deficiências acabam parando o elevado preço emocional e psicológico de não saberem quais alegrias poderiam ter tido com a criança abortada!
    Em terceiro lugar, por mais trabalhoso e incômodo que o convívio com alguém com deficiências físicas e mentais possa parecer, o aborto dessas pessoas não será justificado se considerado que o Senhor Deus não cria apenas pessoas física e mentalmente perfeitas. Aliás, no diálogo de Deus com Moisés, o leitor bíblico encontra uma surpreendente revelação: “Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” (Êx 4.11). Assim, o Autor da vida é o único que possui prerrogativas sobre a vida humana.
    Finalmente, alguém poderia argumentar, como o fez o juiz brasileiro, ser mais saudável para a mãe abortar uma criança deficiente do que vê-la morrer pouco depois do seu nascimento. Mas o testemunho de pessoas que abortaram não condiz com esse raciocínio. Algumas afirmam que o ato não as fez emocionalmente mais saudável, mas resultou em uma cicatriz com a qual convivem diariamente. A triste conclusão é que aborto geralmente faz com que dois corações parem de bater: a criança abortada e a mãe arrependida.[8] Dessa forma, a melhor coisa a fazer em relação àqueles que consideram o aborto, é aconselhar que abortem essa ideia!

    Por: Valdeci Santos. ©2016 Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.
    Revisão: William Teixeira. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: A deficiência física justifica o aborto?
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    Bíblia em um ano - 17.02.2022